Subir a serra com 20 estudantes numa furgoneta sempre bem dispostos, sempre com bom humor, foi toda uma experiência partilhada tanto com os amigos como com as pessoas do povo; pôr as mãos no barro e trabalhar em equipa segundo as capacidades de cada um! (Os tijolos de adobe pesam tanto!) Desfrutar da generosidade das pessoas que nos recebiam e que nos tratavam como se fossemos da família, partilhando connosco a comida e a alegria de ver como pouco a pouco as coisas evoluíam. Para mim o mais importante desta experiência foi ver como estes povos com apenas estas construções tradicionais, a partir de materiais do lugar recordam que é possível construir uma casa cómoda, agradável e económica, recorrendo aos materiais que têm mais à mão, sem necessitar de ir à cidade comprar cimento. Foi emocionante ver a forma como os povos de la Mixteca em conjunto com a Adobe for Women com as mulheres empenhavam-se e eram capazes de se organizarem para construir as suas casas. Diverti-me muito!
Aprendi muito, Muito obrigada companheiros
Diana Vivanco
A experiência que adquiri é muito gratificante: fazer parte das mulheres da Mixteca, como nós chamamos - é começar o dia com a terra para poder obter o adobe, e assim continuar os processos construtivos.
A partir da Harmonia e da força nós formámos uma grande equipa, o que mais dizer! sem eles nada seria possível.
Partilhar grandes histórias, experiências e partilhar ideias é muito emocionante, mas o mais bonito que não posso esquecer é a alegria no rosto de cada mulher ao ver a sua casinha feita realidade.
Bruno G. Salinas
Diz-se que a arquitectura deve actuar de acordo com as necessidades do momento e da sociedade a que pertence. Pois é junto com este grupo de jovens arquitectos que estou a encontrar a melhor aprendizagem sobre a arquitectura, nas viagens, nas aldeias, na observação das casas vernáculas e nas particularidades construtivas de cada local. Redescobrimos a beleza e a simplicidade para resolver os detalhes mais importantes. Para mim é um desvendar de grandes mistérios entre teorias e detalhes estudados nos livros especializados e a verdadeira simplicidade da sua função. Sei que aprendemos muito mais do que aquilo que estudamos. Mas na verdade o mais gratificante é dar-me de conta que o esforço realmente funciona. A felicidade das senhoras da Mixteca nas suas novas casas em construção; os momentos de riso e conversa com o povo das aldeias que se orgulham das suas técnicas de construção e continuam sozinhos o trabalho começado em conjunto. São os meus jovens colegas arquitectos, que sem medo começam os primeiros projectos com as técnicas aprendidas nas aldeias, com consciência das dificuldades que nos esperam antes da falta de confiança nos materiais naturais. É principalmente perceber que, apesar das dificuldades há gente que não desiste e como disse o João, seguem fazendo sozinhos porque sim, sem razão aparente.
Maria Manuel Ponte
O objectivo inicial foi sempre servir a comunidade. É uma experiência gratificante aprender com os outros e que os outros aprendam contigo, que cada um ponha o seu grãozinho de areia para alcançar o objectivo, servindo as pessoas que necessitam. Todos devemos cooperar por igual e aceitar as ideias que cada um propõe.
Creio que somos capazes de gerar conhecimento se trabalharmos em equipa. Apesar de não nos conhecermos e de termos ideias diferentes, trabalhamos sempre para um único objectivo: servir.
Tivemos sempre presente o compromisso e a dedicação da equipa de trabalho que se formava a cada fim de semana, pelos conhecidos e pelos que ficavam por conhecer. Cada um aprendeu a executar as tarefas que se tinham de realizar.
Passámos várias horas juntos, a nossa perseverança, o companheirismo e a dedicação ajudou-nos. Talvez encontramos obstáculos mas foram esses mesmos obstáculos que impulsionaram a superação dos problemas e a chegada à meta final. Profissionais e não profissionais com que trabalhamos assumiram sempre uma atitude de respeito, diálogo, comunicação aberta e afectuosa. Além de serem sensíveis às experiências, modos de vida, princípios culturais e costumes.
Trabalhei com uma das povoações mais desfavorecidas em questões económicas, no meio rural mas com grande cooperação, educação, desenvolvimento local e autoconstrução.
Jorge Vásquez Martínez
A minha experiência nas comunidades foi muito gratificante, vi todo o panorama de pobreza extrema que o México apresenta dia a dia e sobretudo as condições de vida inadequadas de cada uma das comunidades mais marginalizadas no estado de Oaxaca.
Foi muito significativo para mim envolver-me e contribuir na construção de um tecto que resguardasse cada um dos habitantes da comunidade da Mixteca. Aplicar as técnicas tradicionais e os materiais autênticos da região, culturas e critérios de procedimento e sobretudo a simplicidade e humildade que cada um de nós tem, devemos aprender a desenvolver o conhecimento para apoiar os mais necessitados, assim como saber trabalhar em equipa e valorizar as oportunidades da vida que Deus nos dá.
Espero continuar a apoiar o melhoramento do tecido social que requer mais intervenção na educação, saúde, alimentação, comunicação, serviços municipais entre outros.
Manuel Emiliano Delgado Durán
Em Novembro de 2011 eu vim a Oaxaca para participar no projecto Mulheres de Adobe ( Adobe for Women). No final do mês passado deixei o meu trabalho em Lisboa, sonhava contribuir com o melhor de mim para um projecto e aprender o máximo durante a minha estadia em Oaxaca.
E sim, aprendi muito. Além de aprender a construir com as minhas mãos, aprendi mais do que qualquer coisa, aprendi com as pessoas que estão por de trás dos muros de adobe. Cada família, cada história, cada sorriso fez-me entender muito sobre a natureza humana e da vida, as suas lutas diárias com problemas reais em condições muito difíceis. As mulheres que foram entregues para a construção das suas casas são verdadeiras heroínas que todos os dias se deparam com uma única missão de fazer seguir as suas famílias em frente. Para elas, toda a minha admiração.
Catarina Gabriel
Pátios com galinhas, porcos que têm uma deliciosa carne, burros capazes de deitar lágrimas. Quando eu recordo a Mixteca aparece Regina sentada a arranjar um peru e a colocá-lo numa panela a ferver para nos fazer uma deliciosa canja; lembro-me de dizer à sua filha " prova é a minha sopa favorita". Uma sopa de insectos que sem cair em mitos sabia a frango e estava deliciosa. Recordo-me das noites frias em que o céu estava repleto de estrelas e o nascer do sol matizado, com uma tortilha quente na mão; recordo as matilhas de cães e os grupos de pessoas que subiam o morro para adorar a Virgem. Para mim, conhecer os projectos dos povos do vale da Mixteca, as suas mulheres de barro foi uma das experiências mais autênticas e bonitas que a vida me deu.
Rebeca Mayo
Construir colectivamente com as mãos. O trabalho que se realiza junto das comunidades em Oaxaca é uma experiência de intercambio cultural, de enriquecimento mutuo, de aprendizagem e de vida. Todos os que passam por ali voltam pessoas diferentes.
Cecilia Brañas
Grande parte da minha vida é dedicada a comunidades indígenas, ao iniciar esta missão com a Adobe For Women fiquei muito sensibilizada e enchi-me de satisfação. A partir deste modo de vida entendes aspectos socais, arquitectónicos e urbanísticos que pões em prática e melhoras durante todo o processo de trabalho. Não me resta mais nada a não ser agradecer esta grande oportunidade, que irá reflectir-se futuramente no meu trabalho. Alias, levo comigo estas pessoas tão lindas que de uma ou de outra forma deixaram uma marca no meu caminho e coração. Excelente equipa, obrigada.
Elsa Ortega
Construir casas na Mixteca em conjunto com as mulheres das comunidades e com os outros voluntários é uma experiência que não se limita a técnicas de construção e arquitectura vernácula. É algo muito maior que expõe identidades de povos e comunidades com uma cultura e história muito rica.
Joana Torres
Chegar aquele dia com todos os outros, sem saber o que me esperava. Gostaríamos de ir longe e construir com o povo e com a terra. Carregas a tua mochila e juntas-te aos outros e vais. Há muitas pessoas que se conhecem e outros que são como tu.
Acabámos de chegar a um lugar novo com pessoas novas a construir, dão-te ferramentas e dizem-te o que fazer. Impressiona-te a iminência de tudo. Estás ali, estas a construir. Impressiona-te o curto caminho entre chegar e fazer. Fazes, fazes mal ao princípio mas pouco a pouco o teu trabalho melhora, o teu corpo endurece e aprendes. Todo o dia fazes como podes, deixas para trás tudo o que sabias e aprendeste. Vês o que era e o que será, o que é e o que pode ser, mas há que construir, aprendes que com vontade e conhecimento fazes coisas que tu como os outros aprendeste e podes fazer. Vês que tudo está ali ao teu alcance, ali ou em qualquer lugar. Todos sabemos e podemos. Fazes mais um pouco, algo ali é teu para eles e para ti.
Tiago Seixas
Mulheres fortes, decididas , mãos femininas endurecidas pelo trabalho, que enchem as unhas de terra sem lamentações. Mulheres que são um exemplo a seguir, foi o que vi neste nobre projecto. No qual construir uma casa, não só para resguardar a sua família, ser uma forte casa para poder educar e formar pessoas com valor, na qual vão ensinar os seus filhos a trabalhar para o que quiserem. Mulheres da terra que nos mostram que os sonhos podem tornar-se realidade, são uma grande lição de vida para nós. Com elas descobrimos que a harmonia, a dedicação e a união são conceitos que fazem parte das suas vidas. Sempre será uma delicia dançar para fazer a mistura, sentir a terra entre os dedos dos és. Que venham mais mulheres de Adobe.
Jennifer Pochat
Desde a minha primeira visita com o grupo voltei a apaixonar-me pela arquitectura e sobretudo pela arquitectura vernácula, foi um prazer conhecê-los. Para além disso foi uma experiência muito gratificante ir construir, porque aprendes realmente que a arquitectura não se faz no atelier, mas sim quando a constróis e é único, quando te envolves e realizas com as tuas próprias mãos, onde convives com todas as pessoas que foram, com as mulheres da Mixteca, com os senhores do vale e com o grupo. Faz-te sentir feliz.
É para continuar a construir!
Soledad Alcantara
